Como Ler Audiograma: Guia Prático para seu Exame | Centro Auditivo Fortaleza
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Como Ler o Audiograma: Desvende os Mistérios do Resultado da Sua Audiometria

Por Equipe Centro Auditivo Fortaleza · Publicado em 11 de setembro de 2026 · Revisão editorial: avaliação clínica própria e Organização Mundial da Saúde (OMS)

Gráfico de audiograma com curvas de audição e símbolos para ouvido direito e esquerdo
Resumo direto O audiograma tem dois eixos: frequência (Hz, horizontal) e intensidade (dB, vertical). Os símbolos mostram o ouvido direito (O) e esquerdo (X). A curva traçada indica o grau de perda auditiva. Lembre-se: apenas o fonoaudiólogo pode interpretar corretamente o exame.
Principais pontos

Você segura o resultado da sua audiometria e se pergunta como ler audiograma. Aquele papel cheio de marcas pode parecer confuso, mas entender o básico é mais fácil do que você imagina. Este artigo foi criado especialmente para pacientes e familiares em Fortaleza que querem chegar à consulta de devolutiva mais informados. Sem jargões complicados, vamos explicar os eixos, as curvas e os símbolos do seu exame auditivo.

MitoO paciente consegue interpretar o audiograma sem ajuda profissional.
FatoEmbora seja possível identificar perdas aparentes, somente o fonoaudiólogo pode cruzar os dados do audiograma com o histórico clínico, a audiometria vocal e outros exames para chegar a um diagnóstico preciso. Autodiagnósticos são frequentemente incompletos e podem levar a escolhas equivocadas.
Tabela 1: Principais símbolos encontrados em um audiograma tonal.
SímboloDescriçãoOuvido
O (círculo vermelho)Limiar auditivo por via aéreaOuvido direito
X (xis azul)Limiar auditivo por via aéreaOuvido esquerdo
< (vermelho) ou > (azul)Limiar auditivo por via ósseaDireito/Esquerdo
△ ou □ (abertos ou preenchidos)Mascaramento contralateralVaria conforme legenda

O que é um Audiograma?

O audiograma é o relatório gráfico do exame de audiometria tonal. Após realizar o teste auditivo em cabine acústica – procedimento que detalhamos em nosso artigo sobre como funciona a audiometria –, você recebe esse papel que registra os limiares mínimos de audição em diferentes frequências. É como um mapa da sua capacidade de ouvir sons de diversas alturas e volumes.

Além do gráfico de tons puros, o audiograma costuma incluir um campo com os resultados da audiometria vocal, que mede sua capacidade de reconhecer palavras. Juntos, esses dois componentes oferecem uma visão abrangente da sua saúde auditiva. Entender o que cada parte representa é o primeiro passo para compreender o todo da sua audição.

Muitas pessoas se assustam com a quantidade de linhas e marcas, mas a lógica é simples. O segredo para ler o audiograma está em conhecer o significado dos eixos e dos símbolos padrão. Nas próximas seções, vamos desvendar cada peça desse quebra-cabeça auditivo.

Eixos do Audiograma: Frequência e Intensidade

O eixo horizontal (linha deitada na parte de baixo do gráfico) representa a frequência do som, ou seja, se ele é grave ou agudo. A frequência é medida em Hertz (Hz). No audiograma convencional, ela vai de 125 Hz (sons muito graves, como um trovão distante) a 8.000 Hz (sons bem agudos, como o canto de um pássaro). A maioria dos sons da fala humana se concentra entre 500 Hz e 4.000 Hz, faixa fundamental para a comunicação.

Já o eixo vertical (linha em pé, do lado esquerdo) mostra a intensidade sonora, em decibéis (dB). Esse eixo é invertido: os valores menores (mais próximos de 0 dB) ficam no topo e correspondem a sons muito suaves, enquanto os números maiores (como 100 dB) ficam na parte inferior e representam sons extremamente fortes. O 0 dB não é ausência de som, mas o limiar médio da audição normal.

Assim, cada marca no gráfico indica o som mais baixo que seu ouvido consegue perceber em uma determinada frequência. Se a marca está em 20 dB em 1.000 Hz, por exemplo, significa que você ouviu um tom de 1.000 Hz quando ele estava a 20 dB de intensidade. Quanto mais para baixo no gráfico, maior a perda auditiva naquela frequência.

No nosso exemplo, se a marca estivesse em 60 dB no mesmo 1.000 Hz, isso indicaria que você só ouviu aquele tom quando ele estava bem mais alto, sugerindo uma perda moderada na região da fala. A leitura deve considerar o conjunto de todos os pontos, formando uma linha que chamamos de curva auditiva.

Símbolos e Convenções no Audiograma

Para diferenciar os ouvidos, os audiologistas usam uma simbologia padronizada internacionalmente. A orelha direita é tradicionalmente representada por um círculo vermelho (O), enquanto a orelha esquerda é marcada com um X azul. Esses símbolos se referem à audição por via aérea — aquela em que o som entra pelo canal auditivo e é enviado ao cérebro da forma natural.

Há também outros caracteres essenciais, especialmente os que indicam a via óssea. Eles costumam ser representados por colchetes ou sinais de menor e maior: ‘<’ (vermelho) para orelha direita e ‘>’ (azul) para a esquerda. A via óssea é testada com um vibrador colocado atrás da orelha e ajuda a identificar se a perda é do tipo condutiva ou neurossensorial.

Quando há uma diferença grande entre a audição dos dois ouvidos, o profissional usa o mascaramento – um ruído no ouvido oposto – para obter limiares mais precisos. Nesse caso, os símbolos podem mudar para formas triangulares ou quadradas, e a legenda do exame é a chave para decifrá-los. A tabela abaixo reúne os símbolos mais comuns.

Entendendo a Curva Auditiva: Graus de Perda

A união dos limiares de diferentes frequências forma a curva auditiva. A posição dessa curva no gráfico revela o grau de perda auditiva. De acordo com a classificação mais adotada, discutida em detalhes em nosso texto sobre graus de perda auditiva, os resultados são agrupados em faixas que vão desde audição normal até perda profunda.

De forma geral, limiares de 0 a 25 dB indicam audição dentro da normalidade. Entre 26 e 40 dB, perda de grau leve — podem escapar sons suaves como o farfalhar de folhas. De 41 a 70 dB, perda moderada, onde a fala em volume normal começa a ser comprometida. De 71 a 90 dB, perda severa, exigindo fala muito amplificada. Acima de 90 dB, perda profunda.

Além da altura da curva, o formato também importa. Uma curva plana mostra a mesma perda em todas as frequências. Já uma curva em rampa ou inclinada aponta perda maior nos agudos, cenário típico da presbiacusia (envelhecimento auditivo). Essas configurações orientam o fonoaudiólogo na escolha do melhor tratamento, que pode incluir o uso de aparelhos auditivos.

É importante não tirar conclusões precipitadas apenas olhando para a curva. Fatores como idade, exposição a ruídos e histórico familiar influenciam os achados. A correlação com a audiometria vocal e a avaliação clínica completa trazem o diagnóstico final.

O Índice de Reconhecimento de Fala (Audiometria Vocal)

Além dos tons puros, seu audiograma provavelmente traz uma porcentagem chamada Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF) ou simplesmente audiometria vocal. Esse número indica quantas palavras, de uma lista padronizada, você foi capaz de repetir corretamente quando o som foi apresentado em uma intensidade confortável.

O IPRF é fundamental porque ouvir não é apenas detectar sons, mas compreendê-los. Uma pessoa pode ter limiares tonais razoáveis e ainda assim entender mal a fala, especialmente em ambientes ruidosos. Valores de IPRF acima de 90% são considerados excelentes; entre 70% e 90%, bons; e abaixo de 50%, o reconhecimento já é bastante limitado, impactando diretamente a comunicação diária.

Esse dado orienta a adaptação de aparelhos auditivos: um IPRF muito baixo pode indicar que o benefício do aparelho será limitado, enquanto um IPRF alto sugere bom prognóstico. Na primeira consulta audiológica, o fonoaudiólogo discute esses achados e explica o que esperar do tratamento.

Portanto, ao ler seu audiograma, não foque apenas nas curvas. A seção de fala é tão importante quanto o gráfico tonal. É comum que o laudo traga também o Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF), que é a intensidade mínima em que você começa a entender palavras, geralmente próxima à média dos limiares tonais nas frequências da fala.

Este guia foi elaborado para que você se sinta mais confiante ao olhar para o exame, mas jamais substitui a interpretação de um fonoaudiólogo. A leitura do audiograma requer conhecimento técnico aprofundado, pois os resultados são influenciados por muitos fatores: calibração do equipamento, colaboração do paciente durante o teste e até mesmo variações anatômicas do ouvido.

Além disso, somente o profissional pode diferenciar entre uma perda condutiva (problema no ouvido externo ou médio) e neurossensorial (dano na cóclea ou nervo auditivo) — distinção que muda completamente a conduta. Em muitos laudos, o fonoaudiólogo descreve o tipo, o grau e a configuração da perda, baseando-se em todos os elementos do exame.

Um erro comum é o paciente se apegar a um único número e ignorar o contexto. Por exemplo, uma queda em 6.000 Hz isolada pode não indicar perda significativa, mas se acompanhada de outras, pode sugerir trauma acústico. A Organização Mundial da Saúde reforça que a deficiência auditiva não tratada é um problema global, e o diagnóstico correto é o primeiro passo para a reabilitação.

Na sua consulta de devolutiva, leve anotações com suas dúvidas. Pergunte sobre os pontos que chamaram sua atenção. Um profissional dedicado, como os do Centro Auditivo Fortaleza, terá prazer em explicar cada detalhe e desenhar os próximos passos com você.

Próximos Passos: Da Leitura ao Tratamento

Agora que você entende os elementos básicos do audiograma, a curiosidade natural é: ‘e depois?’. O próximo passo é discutir o relatório completo com o fonoaudiólogo que realizou o exame ou buscar uma segunda opinião se preferir. Com base nos achados, pode ser recomendado um acompanhamento periódico, o uso de aparelhos auditivos ou encaminhamento a um médico otorrinolaringologista.

Em Fortaleza, há diversas opções de atendimento, mas a experiência da equipe faz diferença. Escolher um local onde você se sinta acolhido e bem orientado é essencial para uma jornada auditiva de sucesso. Muitas clínicas oferecem avaliações iniciais gratuitas, permitindo que você tire dúvidas sem compromisso.

Se identificada uma perda auditiva, a adaptação de aparelhos auditivos é um processo que exige paciência e testes. Os dispositivos modernos são discretos e eficientes, e a reabilitação auditiva pode devolver sons que você nem lembrava mais que existiam. O importante é não adiar o cuidado: a audição é uma via de mão única e a estimulação precoce ajuda a preservar a compreensão ao longo do tempo.

Independentemente do resultado, guarde seu audiograma. Ele servirá como referência para futuras comparações e acompanhamento da evolução auditiva. E, se você ainda tem dúvidas sobre o processo, não hesite em entrar em contato com um profissional qualificado.

"Compreender o audiograma é o primeiro passo para retomar os sons da vida. Nossa equipe está pronta para esclarecer cada detalhe do seu exame." — Equipe Centro Auditivo Fortaleza

Fontes e leituras complementares: Organização Mundial da Saúde – Hearing loss · Ministério da Saúde – Saúde Auditiva

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Perguntas frequentes

O que significa a linha azul e a vermelha no audiograma?

A linha vermelha e o símbolo ‘O’ representam a audição da orelha direita por via aérea. Já a linha azul e o ‘X’ indicam a orelha esquerda. As cores facilitam a visualização rápida de cada ouvido no gráfico.

Quais sons correspondem a cada frequência no audiograma?

Frequências entre 125 Hz e 500 Hz abrangem sons graves, como o motor de um carro. A faixa de 500 Hz a 2.000 Hz contém a maioria dos sons da fala, enquanto de 3.000 Hz a 8.000 Hz estão os agudos, como canto de pássaros. A perda em frequências altas, comum em idosos, dificulta a compreensão de consoantes.

O número de decibéis no audiograma indica o volume que preciso para ouvir?

Sim, os decibéis marcados em cada frequência mostram a intensidade mínima que você consegue detectar aquele tom. Por exemplo, 40 dB em 2.000 Hz significa que você só escuta sons nessa frequência a partir de 40 dB, o que corresponde a uma conversa em volume baixo.

Posso fazer a leitura do audiograma sozinho?

Não, a interpretação final deve ser feita por um fonoaudiólogo. O guia serve para você entender os conceitos, mas apenas um profissional pode avaliar o tipo, grau e configuração da perda, considerando seu histórico e outros exames.

O que é o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF)?

É uma medida da audiometria vocal que indica a porcentagem de palavras que você compreendeu quando o som foi apresentado em uma intensidade confortável. Um IPRF de 100% mostra compreensão perfeita, enquanto abaixo de 70% já pode indicar dificuldade de entender a fala, mesmo usando aparelhos auditivos.

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